Légende

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Setembro 12, 2009

rosa viva


à Adélia Clara
minha prof






mais do que livros cadernos
estantes mapas canhenhos

na secretária

tinha uma flor a minha aula
do rubro uterino da vida,


selvagem

era uma rosa ao jardim

onde colhi
liberdade.



admário costa lindo
Póvoa do Mar
12.09.2009

Setembro 10, 2009

sargaceira




as ondas remansas acamam na praia
ondolente seara rúbea
de flores de algaço

e a babuge tinge-a de espuma.

arregaça as saias graveta em punho
espinha a luzida flora
no areal aos molhos

e amanha um celeiro de pão.

ao nascer da noite
a nortada há-de gelar-lhe os ossos.


admário costa lindo
Póvoa do Mar
10.09.2009




Algaço ou Argaço: o m.q. Sargaço.
Babuge, de Babugem: detritos que o refluxo das marés deposita na praia.
Espinhar: espetar.
Graveta: utensílio similar a um ancinho de dupla fileira de dentes utilizado na apanha do sargaço.

Setembro 09, 2009

Blog de Ouro



Embora ultimamente tenha andado arredado da net e com isso este blog (entre outros) sofra muito, ainda há quem o visite.

Recebi este selo do meu amigo Namibiano Ferreira http://poesiangolana.blogspot.com/

Namibiano, muito obrigrado por este galardão.

Para compartilhar, siga as regras:

1. Exiba a imagem do selo “Blog de Ouro”;
2. Poste o link do blog de quem te indicou;
3. Indique 5 blogs de sua preferência;
4. Avise seus indicados;
5. Publique as regras;
6. Confira se os blogs indicados repassaram o selo.

Estas são as minhas indicações:

1- Lugar dos sonhos: deixa-me amorar-te!, de Carlos Serra
http://lugardossonhos.blogspot.com/

2. Lusofonia Poética, Poesia de Manuel C. Amor
http://www.lusofoniapoetica.com/index.php/content/category/2/3/274/

3. Poesia de Paulo Afonso Ramos
http://poesiadepauloafonso.blogspot.com/

4. Dont Give Up, de Anna Mathaya
http://annamathaya.blogspot.com/

5 Rabiscos da Soares, de Ivone Soares
http://rabiscosdasoares.blogspot.com/

após escrito:
a ordem é aleatória e devo confessar que foi doloroso ter que escolher apenas cinco.

Outubro 20, 2008

o futuro das águas


as águas passadas
moveram moinhos.

e pontes as viram
e sóis as marcaram
e o mar as bebeu.

ao futuro me vou
a esgravatar
o relincho das águas.



admário costa lindo
póvoa, 20.10.2008

Setembro 10, 2008

o sabor da lua

à Adélia Clara
(no teu aniversário)



de manhã nasce o sol
ao secar do orvalho
ao sabor da lua.

como a fénix renascida –

porque o fogo
não é mais do que água sublimada

ao vigor da vida.


admário costa lindo
póvoa de varzim
9.09.2009

Julho 05, 2008

trinta rizes de vento

pesco murmúrios aos lábios da maré
abro-lhe a concha
e aspiro iodos na praia esparsos,
rexio ao marear
ao ximbicar, ao soletrar-
-te
chão de argaços.

se a escuma e plâncton salitre e água
na foz da aurora
já prenuncia o loiro abrir do sol -
eluivem flor da mágoa
tom da frágua, e desagua-
-se
em luz bemol.

som trevoso ao navegar da ária solta à tua voz
na onda de crista acesa
de alumiar a rota em asas de albatroz.

desapena oh mar, ou deus que sejas,
esbandalha este rebojo –
a vela panda e os trinta rizes de vento
a rude brisa e os assejos:

brume dos nós
e dos ilhós.



admário costa lindo
2.07.2008



Glossário Poveiro:
Argaço – o m.q. Sargaço.
Assejo – Local, fora da barra, onde a ondulação é mais fraca e os barcos aguardam o ensejo de entrar a barra.
Brume – Matéria purulenta; brumo; vurmo.
Desapenar – Livrar de penas (mágoas, sofrimentos, tristezas).
Eluivem – Ei-lo, que aí vem!
Esbandalhar – Desfazer.
Rebojo – Mau tempo durante a lua nova.
Rexio – Corrente de mar de grande intensidade.
Rizes de vento – Estivados ou outros cabos existentes na velas do barcos, passantes por ilhós, que servem para encurtar a vela de acordo com a velocidade do vento.
Trevoso – Tenebroso.

Glossário Angolano:
Ximbicar – Fazer o barco navegar com auxílio de uma vara comprida que se vai apoiando ou enterrando no fundo do mar, rio ou lagoa, dando-se o impulso necessário para o barco se mover.

Abril 03, 2008

A batalha que travas

Escondes em ti o homem pra ela
Tocação adiada
febril vejo-a
Consolo-a, escrevo-te
ama-a!
Confessa-me, conselhos pede
descabela-se e chora...
é aquela que entende tudo pra entender
se a beijas
percebes que única é
adiando, sofrida fica
não mais palavras tenho
vocabulário esgotado
decido interceder
ama-a!

Fi-la ver o quanto a queres
fi-la sentir-te presente mesmo ausente
tudo fiz...tudo faço
quero-vos felizes
não por mim...não
não por ti...talvez não
por aquela sim...
por quem batalhas travas
negando-te
ama-a!

Intercedo sim, por ela que sou eu
eu tua ontem, hoje, amanhã também
a batalha que me travas
eu a desguarnecida
eu tua sempre
dá-me brívidos
não sabes como compreendo-te
e por isso sou como me queres
agridoce!
Vinagre e açucar em mim
sou como me queres
por isso ama-me!!!



Ivone Soares

Março 22, 2008

navegante ao navegar

de vela e remo
navego de
vaga em vaga

à preia-mar

a saber se a safra é farta,

de remo e vela
rasgo a
estrada de sal

ao sete-estrelo

a saber se o mar é prenhe.

eu navegante
ao navegar me faço

ave de arribar.



admário costa lindo


Março 16, 2008

solaris

solar
de corpo e verve
me aceito.

e só na água
me sacio deste anseio
de cantá-lo

de flor
em frágua

de forno
em forno.

mas por que raio
só posso olhar o sol
de frente
quando morno?




admário costa lindo

Março 11, 2008

o canto do siripipi



em memória de Ernesto Lara Filho




1

osipipi osipipi osipipi

afasta de mim este rançoso visgo
que me aprisiona

esta rede de emalhar
que me incomoda

esta ânsia de madeiro
que me mata.

2

livra este verde trópico que me rodeia
e me refresca

esta amarela polpa que me sacia
e acalanta

este azul celeste que me liberta
e te cobiçam.

3

este mundo
é o meu.

tambula conta
nele
ó
Kalunga!

osipipi osipipi osipipi


admário costa lindo




nota:
tambula conta – cuida, toma conta.

Março 10, 2008

Eu e Eu

Novamente as discordâncias do eu o EU de facto
[e o eu lírico

Mas sigo em frente
Fazendo de ti um terceiro eu o alter-ego, outro EU
Oculto no lirismo dos olhos, os teus

Dos meus, o misto de verdade e utopias
Presentes também no nosso viver
De esperanças tão conscientes,
Outras vezes antecipadoras

Onde os destroços de nós
Nos remetem a um tempo novo
Que é quase concreto, mas
Nos trascende.

Da paisagem do atlântico que nos divide,
O dueto fragmentado de mim de você…
Ainda acorrentados a outros quereres, necessários!

Mas insisto em querer-te
Em novos espaços, novas dimensões
Que não cabem em metros quadrados…

Mas levam a anulação do nosso EU
Desarreigado de preconceitos
E sem nuances culturais

Insisto em querer-te em outras dimensões
Onde a re-invenção de nós é realidade
E redescobre nossas mentes,

corpos...

Ansiosos do despropositado querer
Expresso na troca que conduz ao auge
E dissipa as discordâncias do EU




Anna Mathaya

Constelação Mercúrio

Eu e o destino sobre o cais
Peito sufocado, asas à imaginação

O Eu atrevido ouve-me o soluçar
De bits e ritmos incertos
Dos corpos separados, constelações…

Eu no cais
Sem cheiro, sem toque, sem pele
Nem por isso menos intenso e belo
Esse desejo feito pingo de mercúrio

No céu a lua cheia e nua
Reflecte os repetitivos nauns ao desejo
Realidades feitas de distância
De saudade, mercúrio, mercúrio, mercúrio

E na tentativa de reter as gotas
Mãos Afrodite abrem-se no vazio

Fazendo-me vítima da libido do Eu
E viajo aos jardins intangíveis
Feitos possíveis pela imaginação

No cais

Eu, a distância, o medo
Um único medo: De mim!
Peito sufocado, asas à imaginação

Nas constelações bits e ritmos incertos
Eu Afrodite, mercúrio, mercúrio, mercúrio...


Anna Mathaya
Junho/2007

Gotas, Gravatas, Meninos

Amantes ainda jemiam nos leitos
E os sós em sono refaziam sonhos
Gotas silenciosas envenenaram os tetos
E o céu tingiu-se de cinza e revolta

Descortina-se uma Luanda adormecida
Onde as águas fazem o verde mais verde
E ao povo dos subúrbios trazem o amargo fel

Uns se afogam outros se esvaíram

Enquanto isso de seus casulos
Despertam as poderosas gravatas
Rumo a honra que cede lugar a esperteza
Em nome do povo que jaz nas enchentes

Gotas silenciosas envenenam o chão
E o desfile das gravatas continua
Mas nenhuma delas tem lágrimas para derramar

Elas se deleitam em sua esperteza

Lágrimas derramadas têm os meninos
Que de olhar distante, das águas curtem a força
Lágrimas sugadas pelas lembranças
Do que ontem foi seu habitat

Gotas insistem em doloroso veneno
Sós e amantes juntam-se aos meninos
E vivem o prelúdio de morte anunciada

Gotas são peste fome e mais miséria
E da esperteza das gravatas o alimento.



Anna Mathaya

Watts Bytes

Do cálice que juntos brindamos
a saudade

Das aguas onde nadamos
a nostalgia

De tudo que ficou por acontecer
a melancolia

Do quase nós destruído, algum remorso

De você, ainda a mesma saudade
enRAIZada em watts, bytes

De você, ainda as madrugadas
das bem às mal dormidas

Eu de você, ainda a INTENSIDADE
ainda a mesma saudade...



Anna Mathaya

Poesia em Carne Viva

A poesia é como um rio...
leito de verbos e vinhos,
onde uma alma se banha
na palavra que empenha,
soberana,... arte rainha,
devota paixão tamanha,
é a esperança que se cunha
capaz de mover montanhas.

A poesia é largo esteio...
que mantém firmes os punhos
do homem simples que apanha,
sob o peso da desdenha,
e frente ao terror medonho
dos que estão quase sozinhos,
mas se unem, em rebanhos,
sem renderem-se às barganhas.

A poesia é eterno cio...
em que se fecundam sonhos,
superando,... na artimanha
a maldade que avizinha
os corações feitos de estanho,
cruzando novos caminhos,
desvendando tantas senhas,
por seus férteis testemunhos.

A poesia, então, é isso...
algum gesto de carinho
ofertado a um estranho,
– português, pária ou portenho –,
sem remorso e sem vergonha,
não tendo intenção de ganho,
mas de ser dócil resenha
dessa vida, tua e minha.

(...)

E sendo poesia... é infinda,
sendo bela, é ingênua,
sendo força, ela é bem-vinda,
e por ser amor,... há quem diga...
que a poesia é carne viva.



André L. Soares
04.10.06 – Guarapari/ES

Bem-Te-Vi

Bem te vejo
Bem te digo
Bem te quero
Benfazejo
Sempre aqui
Bendito ao fruto
Deus te guarde
Nas florestas
Onde, entre réstias
Bem-te-vi.



André L. Soares
05.08.05 – V. Velha/ES

O Menino de Beirute

Embora tivesse escolhido a felicidade
a julgar pelos prédios em ruínas,
a felicidade não o escolheu.
Ainda assustado, guardou no bolso
– junto a um retrato dos pais –
três rubras gotas de ódio e saiu.
Queria sorrir para o mundo...
em resposta, as ruas sujas gargalhavam
um sarcasmo seco, de fuzil.
Em dia claro, choviam estilhaços.
Nos seus braços uma ferida sangrava
e ele em total torpor
(historicamente anestesiado...
coração nasce blindado,
onde não há amor?).

Entre a poeira cinza dos escombros
a infância resiste e ele se ilude
num jogo de bolas de gude, distante dos bombardeios.
A paz agora é uma moribunda sombra,
que se alimenta do prometido cessar-fogo.
(rápido rasgo de esperança
que se curva às tradições e aos interesses...
e haja paixões, para manter viva essa loucura).

De novo correndo entre os corpos
sonha o dia em que possa descansar,
sem temer – na esquina – um inimigo,
usar roupas limpas aos domingos,
falar de coisas lindas,... ver o luar...

Ele não vai hoje à escola...
(arremedo queimado de salas de aula)
porque seus professores
trocaram os livros pelas armas.
Hoje ele não vai à escola...
mas traz marcadas em sua pele
todas as mais duras lições.
Ele hoje não vai à escola...
dez anos nessa vida infeliz
e a promessa de vingança
como sagrada cicatriz.


André L. Soares
10.08.06 – V. Velha/ES

A Relatividade da Verve

Choram os mares abertos
por onde lançam-se os barcos,
em portos de ‘adeus’,... abscessos,...
à espera do doce regresso,
saudade incontida em gestos,
(mosaicos que dou a você)...
por toda pureza que abraço
nos beijos de janeiro a março.

Sofre meu pulsar disperso
nas mãos que aqueço em afago,...
são cacos de vidro e pregos
da distância que faz estragos.
No entanto, o longe está perto,
no mais eu pago pra ver,...
se há mesmo esse caminho errado
nos sonhos que seguem atalhos.

Imensa, a dor desses versos
que o poeta risca ao acaso,
louco, a vagar entre prédios,
catando lampejos e restos
da verve entregue ao passado
(embora nem saiba o porquê)...
dos astros que queimam,... eternos
nas curvas do tempo e do espaço.


André L. Soares
24.06.07 – Brasília/DF

Os Povos do Meu Povo



No povo onde povoamos
Eu e o povo
Há muito povo
Povo que nada diz
Que tudo diz
Povo que nunca quis
Ser povo
Ser feito povo
Ser chamado povo

Tem povo grande
Povo gordo
Tem povo corvo
Que come
Fica preto
Não engorda
E come

Povo que manda
Que anda
Mas não sobe chapa

Tem povo que canta
Que grita
Povo que rouco de cantar fica
Rouco de ficar rouco

Tem povo que escreve
Que juntas estrelas
Areias da praia
E se diverte

Povo que com palavras
Escritas
Nada diz tudo diz
Come e na engorda
Grita e fica rouco
Mas escreve
E vive
E fica povo

Tem povo que anda
Que se esfomeia
Povo que trabalha e cansa
Tem povo que vai e vem como onda do mar
Sobe chapa cem, duzentos, trezentos
Chapa mil
Sobe e desce como ondas do mar
Povo que vai ao mar e não traz peixe
Porque o povo já pescou
E não deixou peixe para o povo

Tem povo que morre
No fogo e na morte
Povo que morre nas mãos do povo
Povo que tira o peixe que o povo não pescou
E povo não fica calado sem peixe
Mata o povo com seu próprio povo

Tem povo que espera
Nas margens do rio
Povo que pensa que o Zambeze
Deixará de ser rio
Sairá do leito
E ficará nas margens
Esperando que o Save
Deixe de ser rio

Povo que só chora
Não canta
Nem Dança
Não escreve e nada alcança

Ah! Tem muito povo esse meu povo
Povo que nada diz
Que tudo diz
Povo que nunca quis
Ser povo
Ser feito povo


É tanto povo que nem sei
Qual é o meu povo
Que povo sou eu



Nelson Livingston

A Viagem


Vai meu barco
Navega leve sobre meu mar
Sobre cada milímetro do meu desejo
Essas ondas que só nós vemos

Vai remando
Escavando minha alma inocente
Instantes eternos dessa viajem eterna

E com cada remada
Uma lufada de ar
Esperança dum futuro distante
Um porto para atracar

Vai minha vela acesa
Solta, vigorosa, carnuda e gloriosa
Vai saboreando momentos
Colhendo ventos
Te saciando de forças para a viajem

Vai para o infinito meu barco
Lá onde não há limites
E tudo faz sentido
Onde os tempos se fundem
E não há passado, não há presente
E não há futuro
O tempo não se mede


Nelson Livingston

O Olhar de Mário

Mário olha longe
Percorre a distância longa
Que lhe separa dos seus algozes
Mário olha mas não vê

Seus olhos de menino assustado
Se afogam num mar enfurecido
E Mário não sabe
Se são homens ou não são homens
Os homens que lhe rodeiam

Os olhos de Mário pedem
Rogam e suplicam
Pede algo que Mário nem sabe certo
Porque sabe que não terá

Mário pede que sejam homens
Os homens que lhe rodeiam
Tenham alma e ainda lhes sobre
Algum coração no coração

Mário se cala
Para ouvir seu coração e ter certeza
Que ainda vive sua alma
Mário espera, pede e pede
Pede algo que Mário nem sabe certo
Porque sabe que não terá

Mário pede piedade
Grita calado e pede piedade
Grita e fica rouco
É o seu silêncio que grita
Sua alma que se estica mas nada alcança

No silêncio do seu olhar
Mário olha para fundo do seu ser
Mário roga aos deuses que desconhece
Cria divindades que lhe livrem
Mário olha mas não vê

Mário percorre o tempo com seu olhar
Admira o passado acumulado
O presente conturbado
E o futuro prestes a terminar
Mário cobiça ás crianças que lhe olham
O futuro que lhes resta

Num olhar microscópico
Mário se lembra de tudo que fez
Se arrepende do que não fez
E espera que o destino chegue
E leve para longe sua existência

Mário olha para todos
Olha para mim e pede piedade
Esse sentimento que escasseia
Mário olha e pede.


Nelson Livingston

Março 01, 2008

portugal hoje às duas da matina

tento abrir
te
pétala a pétala

mas desisto
me
estame em riste.

não saber
sequer
que não és flor que se cheire.


1.03.2008
admário costa lindo

Fevereiro 26, 2008

calema

o teu marulho
se faz fogo
no rebentar furioso.

devastador te assumes
diabólico.

arvoro-me em quianda
e mergulho no abraço das ondas

abro te as entranhas
desfio a malha que te sustenta
manobro te os genes

e recrio-te brando.

em areia me transformo
para sentir
o cetim líquido
percorrer-me frio e manso.


admário costa lindo

Madrugada

A madrugada está na palma da minha mão
Toma-a, sorve-a, aspira-a, ela é persistente
Mas quando o fizeres, sabe que então
Estarei dentro de ti, doce e permanente


Carlos Serra
do blog “Lugar dos sonhos: deixa-me amorar-te!”

por isso inventei o Zambeze

olha como faço cada dia
sento-me no areal
sento-me liquidamente
e depois digo ao rio
põe-te em movimento rio põe-te!
e ele põe-se, sempre se põe
e então lanço os sonhos à água caudalosa
descativo-os da caixa da rotina
quando o dia se desabraça da noite
e a cacimba emigra para o sol
e depois lanço-me eu
à agua quente e sensual
e persigo os sonhos
sonhos que são partes de ti
nado nado nado sem parar
mal agarro um vai o outro mais à frente
ou está não importa onde no poliedro que és
e perco-me contigo por todo o lado
e perdendo-me de mim reencontro-me em ti
e assim passo a vida a nadar procurando-te
me dirás então não me alcanças?
olha não me interessa alcançar-te
no sentido físico que me dás
alcançar-te seria não te ter
prefiro este gesto táctil de te buscar
porque é buscando-te que te tenho
é tendo-te que te sonho
é sonhando-te que te agriculto com cada grão da vida
(por isso inventei o Zambeze e o tornei prisioneiro de ti)


Carlos Serra
do blog “Lugar dos sonhos: deixa-me amorar-te!”

Tem amor pátria?


Oh vós outros
Polícias dos costumes
Castradores da humanidade
Dizeis-me que se aqui
Não houver um pilão
Uma palhota
Uma queimada
Um xicuembo
Que isto não é um poema
Que esta não é a nossa
Matapa
Que isto está sem o nosso gosto

Oh vós outros
Polícias dos costumes
Castradores da humanidade
Quem vos disse
Que pilão tem pátria
Palhota dono
Queimada uma só incandescência
Xicuembo um só dono?

Oh, vós outros
Canibais do ser humano
Sabei hoje e aqui
Na vossa fagocitose
Vós, estreitos e estúpidos,
Que somos espigas de milho
Na mesma raça de sonharmos
Tem amor pátria?
Tem beijo tribo?
Tem cópula nação?

Oh vós outros
Assassinos das almas iguais
Artífices das casas fechadas
Sabei
para sempre
Que sou o rizoma
Quente e amigo
De onde brota
Este amor plural
De todas as aldeias
Da mesma humanidade


Carlos Serra
do blog “Lugar dos sonhos: deixa-me amorar-te!”

Savaneira rola

É nesta vertigem total
Razão expulsa
Emoção erecta
Que te beijo
Savaneira rola
E esculpo
Fremente suplicante
As ancas da tua alma
Vá, sê laranja fresca
Não polpa de tamarindo



Carlos Serra
do blog “Lugar dos sonhos: deixa-me amorar-te!”

Foz de ti

É justamente
à entrada
dos teus seios
corolas da noite
que me abrigo
e faço âncora
o desejo de ti
foz de ti


Carlos Serra
do blog “Lugar dos sonhos: deixa-me amorar-te!”

Enseada

Eu sou oceano
Tu és a enseada
Índico te amo
Doce, terna fada


Carlos Serra
do blog "Lugar dos sonhos: deixa-me amorar-te!"

Sabor a Chuva

Terá o sabor da chuva

Roçando os lábios da infância.

Sedenta: a ave e a vida!

A ternura destruída.

E o mosto e a uva...

Suave fragância!

***

Então dirás:

«Não tenho a coragem

De ir nessa viagem.»

***

Será o amor, será a vida...

A transparência surda do olhar!

***

E, devagar...

A ternura interrompida!


Ana Tapadas
do blog “Sul Sereno”

Planura

Eu amo planuras imensas

E gestos de linguagem muda!

Amo silêncios intensos

Onde o ser, às vezes, se transmuda!

Amo-te, porque te amo

Em definições extensas de dar...

E sinto-te quando te chamo

Dentro de mim, ao despertar!

***

Eu quero colinas e montes,

Plenos de canduras viçosas!

Amo regatos e fontes...

Doces meios-dias, manhãs brumosas!

Quero intensos verões

E frémitos escaldantes!

Doçuras de serões...

Nas noites aconchegantes!

Quero a tua voz poderosa

Sobre a minha rebeldia.

Amo a tensão amorosa...

De um puro dia-a-dia!


Ana Tapadas
do blog “Sul Sereno”

Anátemas

Partimos de braços abertos:
Anátemas...
Sonhos nos ares boiando!
Partimos sonhando:
Profetas!
Adivinhamos, no dia,
A hora das descobertas.
E, todavia...
Ficamos!
Baloiçamos no espaço
De seres violados.
Somos um febril compasso
De tons desafinados!
Sociais...
Coerentes e desiguais.



Ana Tapadas
do blog “Sul Sereno”

e se...

E, os homens

aportaram, então,

num caos longínquo

onde, o mundo recomeçaria,

límpido como a madrugada!

***

Uma sonolência vaga

sobrevoou...

sobre o delírio geral!

E os cérebros navegaram

até ilhas vagas,

dispersas...

***

A ironia é uma arma branca.

Aflora, veladamente,

o sono dos justos,

os interesses...

tão humanamente,

interessantes...

interessados!



Ana Tapadas
do blog “Sul Sereno”

Escorpiando-te

Não acreditarias se dissesse que picada de ti estou
fundo tão profundo quanto as profundezas do Umbelúzi
Aquele Umbelúzi meu vizinho nas terras que irás conhecer
Se te falasse que és escorpião...sim meu signo fogoso te vinhas...ah se [vinhas!
Conheci tua língua, teu indicador, teu general,
mas antes sofri alguém dizia que não virias...mas achei-te em mim
profundo, meigo, tão doce como só tu.
Sabes, hoje ao olhar-te o pé
sensações loucas de doida varrida vieram espreitar meus pensamentos
sou duas numa, esta e aquela que não conheces ainda...ta darei,
não hoje, não amanhã...mas naquele dia que tu inventaste: o breve.
Se eu te contasse, quão estremecida estou, saberias que t' (a)guardo
naquele lugar onde só minha mangueira sabe
ah! minto...alguém mais sabe...TU!


Ivone Soares
do blog “Rabiscos da Soares”

Noites infinitas

Amo estar no escuro do dia
contigo meu último sobrevivente
tu que me tiras o fôlego
tu que me tomas os melhores anos da vida
tu que fazes minhas noites infinitas
quero dizer que me sendo
as noites de insónia somem

Nestes melhores momentos das nossas vidas
aperto-te forte
pra eternizar os nossos momentos
pra eternizar as noites do dia
cada dia pesco milagrosamente
pedaços de ti em mim
cada dia conheço-te
cada dia sinto-te
cada dia em ti penso
cada dia estás como semente em mim
cada dia, tesouro, cada dia
como uma pesca milagrosa
amo-te meu pescado.


Ivone Soares
do blog “Rabiscos da Soares”

Meu diamante és

Não quebre meu coração se minha alma queres
Não quebre meus sonhos se nele habitas
Não quebre minhas fantasias porque te buscam
És o diamante mais lindo que já ganhei
Aprenderemos a caminhar por estes caminhos tortuosos.

Que te espero nas madrugadas-dia sabes
Avizinho-me do teu palácio
Espreito-te
E lá na moita te sinto
Nossos gemidos multiplicam-se em mim
Nossos desejos nunca subtraídos
Nossos corpos imploram-se

Nestes tortuosos caminhos
caminhamos
mãos dadas quase que dançando
Em uníssono ouve-se
Feitos um pr'outro
E grito, gritas...juntos gritamos
anunciando a primavera.
Inverno nunca mais
quando nossos corpos arderem.


Ivone Soares
do blog “Rabiscos da Soares”

Lua Nua

Noite escura
na terra de ninguém
onde os caminhos se escondem…
Noite de outrem
que sempre dura
na viagem de alguém…

Um rio calmo
em silêncio infatigável
visto do alto
pela lua grande
é terno
e acariciado
num caminho feito
para que possas passar…

Vejo o teu desenho
estampado no rosto desse rio
iluminado,
vejo esse corpo
que chega devagar…

Vejo o preto da noite
e o branco do teu amor!

Resta-nos a cor
rosa…
roubada no canteiro
da nossa dor!



Paulo Afonso
do blog “Poesia de Paulo Afonso”

Amor

Terna é a flor
que serena floresce
sorri e a dor
desconhece.
É Amor
e não parece
é uma chama
no meu jardim
é a imagem de quem ama
a crescer sem fim.


Terna é a flor de Amor… silenciada
vive sem ser anunciada!



Paulo Afonso
do blog “Poesia de Paulo Afonso”

Pasmos da Passagem...

Com quatro madeiros
fiz a minha jangada
atados com fitas de esperança
para atravessar o rio dos herdeiros
que na vida encontraram a herança
tão própria e desejada.
Fiz a viagem
entre os últimos e os primeiros
focado na miragem
de poder ser… talvez um dos pioneiros.
Lutei
perdi e ganhei
com rebeldes verdadeiros.
E da minha própria experiência
quis ousar beber o sumo
achado e conquistado por excelência.
Iludam-se os matreiros
neste meu corpo ansioso
ficaram as cicatrizes de um idoso.


Paulo Afonso
do blog “Poesia de Paulo Afonso”

Dom Sem Tom

Este meu jeito
De dizer
De Ser
Em que abro o meu peito.

Tanta coisa que tenho feito
Neste sublime sofrer
Ébrio poder…
Que nem sei se é defeito.

Porque nunca minto?
Porque digo sempre o que sinto?
Sem malícia.

Vou tocar-te
Vou magoar-te
Com esta minha carícia.



26 de Junho de 2006
Paulo Afonso
do blog “Poesia de Paulo Afonso”

Fevereiro 20, 2008

Vogando por oceanos, voo

Para quê palavras
se o tempo já é vindouro
e arranca
à desdita das bandeiras
o canto libertador
virado
Para sombras
Coroadas de flores


Junho 2007
Manuel C. Amor

Fevereiro 19, 2008

Falta uma Palavra

Entre a aparência e a verdade
Falta a palavra
Irremediavelmente lúcida
Que rompa como um uivo
A crosta do mundo

Aos que escolhem o seu caminho

Tudo impede a verdadeira morte


Horta, Outubro 2007
Manuel C. Amor

Espontam lírios na cidade multiforme

Há uma esperança amarga
contida nos olhos secos das andorinhas
no seu regresso ao sul.

Contigo na garupa do meu cavalo alado
parto para o reino das boas esperanças.

Já não espero o reflorir das buganvílias.



Setembro 2005
Manuel C. Amor

Alma Viajante

Insubmissa memória
atravessas tempos
celebrando quotidianos
impregnados de silêncio
no tempo inútil

Caminhas "insolidões"
na monotonia dos outubros

Memória fragmentada

No meio de tanta solidão
mal fingida
decifras sonhos na gulosa
nitidez dos beijos roubados
ás madrugadas aldeagas.

Dissimulas dós de angústia
ao descer pelo cordão umbilical
que une a guitarra ao
quissange

Mágica catarsia
de todos os rios
que fazem
a geografia do amor

Fado
eterno ou precário
redescoberto na dor que dói


Junho 2007
Manuel C. Amor

Manuel C. Amor está também em
Lusofonia Poética

Outubro 31, 2007

Homenagem a PIZARRO



A ALGARVIADA DAS CRIANÇAS...
À MISTURA,
COM MÚSICA DE DANÇAS
NA RUA ECOANDO
EM FRESCURA...
UM CORTEJO BIZARRO
CRESCE, AO COMANDO,
DE DOM PIZARRO...

Como num andor,
actriz e actor
retratados
se passeiam,
enlevados
em anúncio eficaz
de cenas em cartaz...

_DAQUI A VOZ DO SUL...
em alegria manifesta
do norte até ao sul
dá cor ao lugar
o cinema é a festa
que vem anunciar.

A criançada ali está
pespegada
ao man do CASBÁ
d'olho na acção,
nas cenas d'amores
fisgada
no beijão d' actores.


Clark Gable e James Dean
o galã e o sedutor
encarniçando paixões...
Janet Leigh e Errol Flyn
em fitas d'acção e d'amor
provocando emoções...

Pára aqui... pára ali...
à voz cálida de Pizarro.
O man torna-se actor
d' altifalante na mão
e ao filme dá fervor
convidando o povão
a assistir à sessão:

_Damas e Cavalheiros
à noite na soirée...
_Meninas e Meninos
à tarde na matinée

"E tudo o Vento levou"
mas na memória da gente
"A Máquina do tempo"
faz do passado presente...

Sendo tal cortejo bizarro,
d'alexandrenses é memória...
Vivas a DOM PIZARRO
o herói desta estória!!!


_ DAQUI A VOZ DO SUL...



Aileda
10.07.2005
"Entre o mar e o deserto..."

Outubro 06, 2007





Se em minhas mãos estivesse
Se eu pudesse...
O futuro programar
Podes crer, tudo faria
Para de mil tons o pintar!
Desenhá-lo-ia
em girândola de cores
Doce, feliz, com ternura
Enfeitá-lo-ia
Com viçosas flores
Cheio de Saúde e doçura!

Pensando com realidade
Da nossa vontade
Não está dependente!
Podem-se objectivos delinear
O ínfimo pormenor programar
Mas neste tempo presente!...
Como será meu futuro?
Não sei…De Deus depende!


Elizete Mª Trocado Paulo Delgado
25.05.2006

(conjugando o poema “no pulmão da garroa” de admário costa lindo)

Outubro 05, 2007





a noite tem um encanto...
em perfume...tem alor...
a noite tem um encanto..
tem gosto... doce sabor...

nas sombras deixadas de luar
há réstias de formosura...
rabiscos intensos de carinho
a cores-mix de amor-ternura
premissas a conjugar o verbo amar...

então...
a noite tem seu encanto...
amor



aileda
13.09.2007

(conjugando o poema “a noite tem um canto” de admário costa lindo)

Setembro 06, 2007

Pari Esta Dor





Pari esta dor este tormento

Dor do mundo, lamento de mim.

E foi durante a gravidez

Que eu senti,

O sonho de um incenso

Um amor grande, imenso

Um pedaço de ti!

De ti sim Angola chaga das chagas

Para a qual não chegam só palavras

Para as feridas tratar

De ti sim terra bonita

Sentimento que grita

Na minha alma ao exalar.

Ao exalar o teu nome

Que num vazio odre

Choras a fome dos teus filhos

E deixas escapar pardos olhos

de cegos brilhos,

provocados pela fartura da fome.

Em suas ossadas imensas,

Casta dor condensas,

Numa novena vã de proteger tuas crias.

Pari, pari no cheiro da tua terra quente

Este sonho de ajuda ausente.

E é numa oração que peço

Deixem-nas descansar.

Pobres almas condenadas,

Grandes conquistadores de martírios.

Deixai-as descansar

Num vale de lírios a tão procurada

Paz e liberdade deixai-as abraçar!!!



Dinah Raphaellus

7encontro





Talhados plo 10tino
10encontros marcam vidas
100 10frute sonhado
Na distância o tédio 3passa corações
enquanto n1/4 se guardam os prazeres
Até vinda dum 9mbro incógnito
Além mar a foz
curto é o dia
pra a sede do camelo



Soberano Canhanga

Para quê palavras





Para muitos
Sou a consolação
Para mim
Apenas o resto
de uma quadra cadavérica
Para uns
Há causas e explicações
Para mim
apenas Vi
Vivi e existo.



Soberano Canhanga
Junho 2005

Incontinências





Vinde

e cultivai
Que é próprio o momento
Chegai e dizei
(des)coisas habituais
e promessas rotas pelo tempo
em vossas bocas infernais

Vinde,
dizei e fazei
Que é chagada a ceifa
Preparai obras e palavras
Umas sem palavra
Para o julgamento do ceifeiro
Que chega à hora!




Soberano Canhanga
2004

Setembro 05, 2007





Os passos
Marcados
Os sulcos
vincados
sobre à' reia
A imagem
dum tempo
de pequenas
quiçá...grandes
inflexões
Porém...
Pleno de
Boas
recordações.

Memórias
de casuarinas
bailando
docemente
Ou curvando-se
Fortemente
Ao sabor
ao vento.

Imagem
de meninas
brincando
com os dias
Mulheres...
Com o passar
Do tempo!

Elizete Mª Trocado Paulo Delgado
30.08.2007

Kambriquito





Kambriquito
Pequeno…
Mas…
Que estava
Ao nosso lado…
E nessa noite
Ao som de não…
Sei o quê…
Porque não sei mesmo…

Porque esqueci…
Porque quis esquecer!...

Puxei a ponta
Do Kambriquito…
E consegui que ele…

Mesmo pequenino…
Também sonhasse…
Também se risse…

E que calmamente…
Nos tapasse…



Lili Laranjo
in “A ti… Negage… meu amor”

Cacimbo





Cacimbo
Cinzento…
Cinzento escuro…
Onde nada se vê…
Mas onde tudo se sente…
E nós…
Continuamos a espreitar…
E a pensar…
E a querer…
Que te levantes…
Para podermos ver…
Quem está lá…
Porque por trás do cacimbo…
Há tudo, há vida e…
Muito mais…
Sabemos que não vem o D. Sebastião…
Mas vem muita coisa linda…
E nós ficamos com a esperança…
Que o cacimbo se vá…
E tu voltes…



Lili Laranjo
in “A ti… Negage… meu amor”

Imbondeiro





Estou a ver-te ao longe…

Imbondeiro grande e frondoso…
Velho, arrogante com grande porte…
Porte de Rei e porte imponente…
Mostras a todos como és belo e poderoso!...
Com tronco baixo e largo…
Com dois ou três braços…
Braços longos e fortes…
Que abraçam o mundo…
Que mostram o quanto imponente tu és…
E a tua beleza…
E a tua opulência…
Meu imbondeiro Rei…
Espalha-se pelo mundo todo!...



Lili Laranjo
in “A ti… Negage… meu amor”

Café





Cheira a café…

Cafeeiros cheios de bagos…
Grãos muitos grãos…
Vermelhos… Docinhos…
Que eu apanhava e comia…
Devagarinho… mas saboreando…
E tu bago de café
Como eras docinho…
Partido ao meio…
E recordavas um coração partido…

Coração partido e dividido…
Pois sempre soubeste
Que tanto nos querias…
Tanto nos amavas…
E que um dia…
Partiríamos… deixando…
A tua flor…
O teu bago…
E a tua palha…
Palha em grandes montes…
Onde nós saltamos e brincamos…
E o grão bonito…
Vermelho e dividido…
Ficou para sempre partido.
Choroso… e sem os seus meninos!...



Lili Laranjo
in “A ti… Negage… meu amor”